Maio 11, 2009

Putz. Folheando "o caderno verde" dos tempos que eu me divertia nas aulas de filosofia achei várias pérolas entre as minhas anotações. Cito aqui algumas frases memoráveis de alguns teachers, cheias de sarcasmo e very criativas. Divirta-se!

"Pensar nada mais é do que falar baixinho."

"O simples fato de eu entrar para trabalhar no Estado corrompe a minha natureza"

"E agora? Estou infeliz."


"Seria interessante ter leão, tigre, pra abater os seres menos favorecidos. Eu, por exemplo, sou um ser biologicamente inviável."

"A leoa já tá lá, vendo: Ah, aquele bípede tá mancando..."

"Eu pra me sentir seguro, como sou tão forte, preciso de um três oitão!"

"Se eu chutasse uma bola com meus pés e tivesse umas coxas bem torneadas, ganharia milhões, mas como eu só tenho um cérebro pra excretar alguns pensamentos..."

"Qual é a importância de alguém saber rebolar o corpo ou rolar uma bola? Nós colocamos a futilidade antes da utilidade."

"Os brasileiros são bastante insistentes. Enquanto houver humanidade vai haver brasileiros."

"Meu Deus do céu, é muita carência, muita necessidade..."

"Estou desenvolvendo a capacidade de falar infinitamente."

"Acho que nenhum de nós aqui foi treinado pra matar alguém à unha. Se alguém aponta uma arma pra mim eu já me sinto morto."

"Decerto eu vou andar pelas calçadas, cuspindo no chão..."

"Porque os filósofos são tudo uns bicha, uns frouxo né, bicha seria um pouquinho demais..."

"Adote um filósofo, não adote um cachorro!"

"Há muito tempo ninguém me come. Só quem anda me comendo é o tempo. Só que anda me comendo por trás o desgraçado."

"Ser igual aos outros significa que nós não prestamos porra nenhuma. Que nós somos iguais aos outros seis bilhões que andam vegetando por esse planeta"

"Nós, pobres corpos fudidos, ganhamos o prêmio da sensibilidade"

hehehehe. Tem mais. Muuuito mais. Depois eu volto.

Março 18, 2009

Esse papo já tá qualquer coisa.

Março 08, 2009


Bílis negra

pra quê buscar o paraíso se até o poeta fecha o livro

No canto da sala, contra a parede rosa desbotada, a vitrola ecoa, sóbria, aquela voz que corta. No chão, perto da estante de carvalho antiga, a luminária de bolinhas coloridas contrastantes não emite cor alguma senão uma luz amarela e flamejante, quase cansada. Sozinha, os pés descalços sobre o tapete limpo, a meia-luz cortada pela fumaça de um cigarro qualquer que carrega entre os dedos e deixa os rastros de seu andar silencioso, quase em círculos, entre vagarosos goles na taça longa e fina quase etérea.

Na mesa, entre papéis soltos e pequenas esculturas disformes, gravuras, dois volumes de Picasso, chocolates vagabundos, textos inacabados, pequenas anotações, alguns fracassos. Sempre dissera não saber ler e ouvir música ao mesmo tempo. A pausa para o cigarro, os tintos goles, o silêncio, a fumaça, a música. E novamente o livro.

Pára. Fecha o livro. Onde enfim andará Dulce Veiga? Poderia mesmo ter sido diferente? Enquanto pensa vai até os discos. Talvez tivesse sido diferente, quem sabe. Tanto faz agora. Tropeça entre entorpecentes enquanto cantarola a canção que deseja ouvir.

Mas não há canção. Há apenas o espectro de Dulce. E olhos terrivelmente azuis na memória. Notas roucas, quase baixas falam de um bilhetinho azul. Sincronia? Desconfia de muitas coisas. Passara a tarde só.


foto: http://flickr.com/photos/shesjack

Fevereiro 22, 2009

Adorado Exagerado!

Fevereiro 19, 2009

Dicotomia – Parte II

Depois daquele banho


E as chaves estão no box. Enquanto vai até o banheiro pensa se é só coincidência, ou deve haver significado. Por que diabos elas foram parar lá? Tsc, tolice, mera distração acaso Não. Inevitável não pensar nas intermináveis horas que passara ao telefone, a toalha úmida a lhe cobrir o corpo, toda espera todo silêncio. E a lua cada vez mais alta, a vida cada vez mais pauta, todas as rotinas possíveis, todas as lacunas.


No box. Lugar memória de todas as peles trocadas, frases inacabadas, pensamentos sobrepostos, supostos paradoxos. Besteira. Imagina, haver algum “sentido” para as chaves estarem no box.

Lá está ele, o homenzinho verde, estirado nas gotículas que ainda estão no chão, perto do ralo. Do ralo? Estranho... Mas ele já deve estar chegando. Sem tempo pra devaneios, preciso sim é de um cigarro. Daqui a pouco o interfone toca e é preciso estar tranqüila. Ei, mas não, ele não vem. Marcamos as oito, no Café Leblon, casainzinhos e velhotes solteirões, cheiro agradável, bossa nova, art nouveau. Sugestão minha, o clima ajuda. Talvez ele preferisse o cinema, qualquer coisa de lascivo num filme barato. Não dei tempo, fui logo lançando o Leblon, a cara do garçom a me ver acompanhada.


Olha a janela, nenhuma estrela. Com esse tempo, antes tivesse aceitado que me pegasse em casa. Receio, sabe. Primeiro encontro, e já ir logo convidando o cara pra subir, pisar com pressa minha geografia. Prefiro não. Um charminho de autonomia, clichê e sedução. E também porque ao Leblon são só trezentos metros.


Vou fumar mais um cigarro. Falta ainda meia hora. Menos dez do percurso, vinte minutos. Não posso chegar antes dele, daria o ar de desespero. Ou destempero. Vai ver ele imagina coisas, que está há meses sem transar, é possessiva, solitária quer compromisso e blá blá blá todas as neuras pitorescas habituais. Mas e se ele chegar mais cedo? Se já estiver lá? Na certa pensaria que fora muita gentileza ter chegado um pouco antes, escolher a mesa, não deixá-la a espera. Mas deixou.


Foi ela quem chegou antes. Tornozelos doídos, resultado de paralelepípedos e salto. Dá uma paradinha à porta e avista rapidamente o ambiente, olha o relógio. Não, ele ainda não chegara.

Ao cheiro forte de café e fumaça bastaram dez minutos para que começasse a ficar tonta. Apóia uma das mãos na mesa e ergue os ombros, à procura do garçom. Rapazinho simples, cabelos ralos, postura ereta. Mas do estrangeiro. Voz arranhada, secretamente erótica. Um quê de demaCiada simpatia, já percebera. Pede um conhaque, disfarça o ‘stalar da derme.


Trinta minutos. Mantém-se estóica na espera inventariada. Nada nessas horas compensa. Klimt na parede, o cantar baixinho, meia-luz, mais um cigarro. Nem mesmo o ilícito perfume do garçom a esbarrar suas pernas.

Fevereiro 03, 2009

Earth Hour 2009

Poderia ser negligente: nem criar esse post. Poderia ser pessimista: não acreditar nele. Poderia não dizer palavra, pois as imagens à nossa volta falam por si mesmas. Mas preferi dizê-las. E não ser negligente. Nem pessimista.

"Para conscientizar a população sobre a importância da adoção de novos hábitos e mobilizar a sociedade no combate ao aquecimento global, a Rede WWF lançou o movimento Hora do Planeta, conhecido internacionalmente como Earth Hour.

Em 2007, 2,2 milhões de pessoas participaram da Earth Hour em Sidney, capital australiana, onde o evento foi realizado pela primeira vez. Já em 2008, o movimento contou com a participação de 50 milhões de pessoas, de 400 cidades em 35 países. Em 2009, a Hora do Planeta (como ficou conhecida por aqui) será realizada no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão."



Join us! Aqui o link pra aderir também:

See the difference. You can make.

Novembro 08, 2008

Todavia tolices

Sempre que recordo o desprender daquela manta é como se o inverno inda não fora embora. Seria só um inverno se não fosse aquele nó de fumaça e gim que me dizia fale-me de você naquela noite fria, e eu ficara como se por uma força bruta e com medo, com medo de não saber o caminho de volta pra casa. Todos aqueles jovens com sua solidão e cigarro e naquela altura já não me convinha estar sozinho, eu que ali entrei pela canção lembro que naquela noite fazia frio e eu senti um sopro, lembro-me que senti um sopro de abismo ao passar em frente à porta e lembro-me de que a fumaça me chegou dizendo We live in a beautiful world/There's nothing here to run from... e então eu fui até a porta e vi toda aquela gente e tanta fumaça e pensei que talvez não fosse preciso fugir, pois parecia não haver nada de errado. Não agora naquela hora naquele instante. Aparentemente.

Dirigi-me ao balcão e observei os rostos todos tão brancos como a neve que eu pisara até a pouco e então ali fiquei por uns minutos. Hesitara em pedir uma dose, o ambiente era tão entorpecente que eu me contentava a apenas observar os rostos e os corpos e toda aquela coisa branca a que chamavam pele. Acendi mais um cigarro à minha auto-suficiência, pois todos eles pareciam tão indiferentes mesmo quando falavam entre si e riam de coisas que eu não sabia mas imaginava coisas do tipo de um blasé sarcástico poroso por onde entram impressões de riso baixo. Todos riam muito baixo e naquela hora eu pensava como fora bom ou menos pior ser educado pelo ficar calado quando adultos falam, pois ali eu saberia como agir para não ser desagradável e impróprio talvez ali não agradasse qualquer coisa de

Então fumei mais um cigarro a pensar que seria bom conhecer alguém aquela noite ali ali mesmo a esmo embora não tão a esmo assim e foi aí de repente sem ao menos ter tido tempo de pegar aquela dose que me apareces súbito como uma bala perdida ou uma bomba. Uma bomba atômica.

Tropeçou nos meus sapatos e penso que talvez tenha sentido o maço de cigarros em meu casaco quando me estendeu a mão pedindo fogo. Lembro que senti seus lábios tão mais pálidos que os demais mas tinhas maçãs um pouco mais rosadas e olhos tão terrivelmente castanhos que se confundiam com o abrigo cor café que envolvia o pescoço. Então naquele instante tudo parecia fazer sentido embora eu já não soubesse bem ao certo se algo deveria fazer sentido para que eu me aproximasse. A verdade é que eu permaneci calado pois as palavras pareciam inexistir qualquer coisa como uma língua estranha que eu nunca houvesse ouvido me deixava tonto e então aquela música que tocava agora e você ali terrivelmente parado a minha frente me olhando fundo com um cigarro que levava aos lábios da maneira mais bonita que meus olhos já haviam visto. E foi aí que se aproximou do meu ouvido e disse fale-me de você e então eu me senti totalmente frouxo e mudo e tolo e respondi com uma voz baixa quase rouca que eu estava ali somente pois não poderia estar em outro lugar. Não agora não naquela hora não naquele instante. E tudo mais que pensei foi pouco ou sobrou e eu permaneci calado por alguns segundos como se dormisse e sonhasse com um anjo roto a me acender brasas sob os pés enquanto me oferece a fatia mais doce da vida. Então alguém te chama e estende a mão e vocês se cumprimentam com um sorriso aberto e calmo qualquer coisa de cúmplice e ali eu vi seus dentes brancos e perfeitamente dispostos que senti vertigem e um desejo de desprender aquela manta e tatear tua nuca e bagunçar toda a postura de auto-controle que eu fingira até então e tentei acreditar que tudo aquilo que não não poderia estar acontecendo e saí como quem não quer tocar um mundo tão belo assim, e ao mesmo tempo eu poderia ser neve a congelar aquele instante adiando o dia de amanhã. Saí como quem foge parei ao lado da porta e acendi um cigarro deixando que a parede de tijolos expostos segurasse meu corpo trêmulo de frio e fuga e medo e desejo. Então pensei que não poderia sair assim sem vê-lo novamente sem ao menos saber como se chama sem ao menos

Entrei. Procurei-o discretamente no meio da nuvem de fumaça e pele e me senti tonto quando vi que você também me via e me via o vendo e eu sabia que eu não saberia o que fazer se você viesse agora interrompendo qualquer coisa inacabada em mim, qualquer pensamento em desconcerto e então novamente a vertigem e novamente o medo e novamente tudo aquilo cada vez mais perto. E foi então que você veio.

Setembro 04, 2008


Do fundo do baú...

Putz. O nome do diário era - uma cópia descarada do Kundera - "O livro do riso e do esquecimento". Huahuahuahua. Sofro agora os dois. O riso, e o esquecimento. Na capa, uma colagem, uma máscara trágica, e uma cômica, já parecem denotar a confusão do que se passaria ali dentro e acredito eu (pelo que reli), da minha cabeça naquela "era". Sei que foram muitos melodramas mofados pelos quais "corri" os olhos, pois muitos me cansam, muitos me lembram, e muitos me fazem sentir (de verdade!) ridícula. Nem Pessoa me consola. Embora não tenha encontrado "cartas de amor destinadas à alguém", encontrei muitas, mas muitas páginas "bobinhas" sobre ele - o amor... e ai, meu deus, aquele amor romântico, chatinho sabe, que a gente pensa que vai morrer, como eu sofro e blá blá blá e buá buá buá...

Num trecho - que para os curiosos digo que é óóóóbvio que eu não vou transcrever, viu Bea?- diz: "sob qualquer aspecto, de qualquer ponto de vista, o amor é absurdamente impróprio" huahauhauhauhauhuahuhauhua E olha que nessa época eu nem lia Schopenhauer! Essa era eu há onze anos atrás, comendo o croissant que o diabo amassou, me parece.

*Foto: fabrizio-infrared on deviantArt

P.S: ainda bem que contrariando Pessoa, a mim o amor não resultou inútil. Feliz da vida aqui com o amorzinho. E menos trágica, pudera... mas eu continuo ouvindo joy! Ah, e por falar em amor, aqui vai um clipe do filme Hedwig and the Angry Inch, do John Cameron Mitchell - The origin of love, lindo, apesar do platonismo.







Agosto 10, 2008


All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.
All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.
All that you give
All that you deal
All that you buy,
beg, borrow or steal.
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.
All that you eat
everyone you meet
All that you slight
everyone you fight.
All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon

Hummm... na indecisão entre a leitura ou o play e o teto... Trilha sonora: The dark Side of the Moon (no ouvido). Wow...... medo. The time is gone the song is over, thought I'd something more to say.

Julho 10, 2008

Síndrome da folha em branco?

Prazo vencido, problema sofrido. Prazo prorrogado, problema dobrado? Duvidazinha infame que insiste em me tirar o sono... Como diria o Cazuza, que deus o tenha - ou o diabo, caso prefira - "benzinho, eu ando pirado..." É, folha em branco, todo mundo tem o seu ponto fraco. Você é o meu, por que não?
Mas não vim aqui falar de palavras que ainda não foram ditas (ou escritas?), vim falar que agorinha mesmo tava lendo um Nietzsche, (e antes que alguém venha me chamar de "nietzschiana" - como de praxe - já vou dizendo que sou ainda muitas "anas" que não só essa, e que tenho muito espaço pra um só rótulo e, tenho dito!)
Bom, o fato é que vim rapidinho aqui transcrever um parágrafo que depois que li tive que dar "a paradinha" do cigarro... puta que o pariu.. Como diz o Bruno: " não sabe brincar não brinca"...


Eis o trecho:

"Uma época que sofre daquilo a que se chama cultura geral, mas que não tem cultura nenhuma, nem na sua vida tem unidade de estilo, nunca saberá o que fazer com a filosofia, mesmo que ela seja proclamada nas estradas e nos mercados pelo gênio da Verdade em pessoa. Numa época assim, ela será muito mais o monólogo erudito do passeante solitário, o roubo que o indivíduo faz por acaso, o segredo do quarto fechado ou a conversa inofensiva de velhos acadêmicos com crianças."

Nietzsche - A filosofia na época trágica...

"Nietzsche is more than God, too". heheh... Creo que necesita...Si!!!

(ih, tem gente que não vai entender isso aqui...)

Junho 19, 2008

Mãos que me tocam

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade? Ou impossível compor um poema a essa altura da involução da humanidade?

Involuir: Ato ou efeito de envolver ou dobrar. Qualidade ou estado de estar envolvido. Evoluir: Ato ou efeito de evoluir. Progresso contínuo de simplicidade inorganizada a complexidade organizada. Transformação lenta, em leves mudanças sucessivas.

Seja como for, e Drummond que me perdoe o disparate, o cineasta brasileiro Marcelo Masagão compõe não apenas um poema, mas um livro deles, um livro de imagens. Imagens-poemas ou poemas-imagens. A cidade de São Paulo evoluída. Ou involuída?

O curta metragem Um pouco Mais, Um pouco menos revela em seus 17 minutos um vasto e denso conteúdo reflexivo. Imagens aéreas da cidade de São Paulo revelam a vastidão da metrópole. Subexposta a legendas estatísticas a cidade revela que tem vida. Que tem vidas, vastas vidas anônimas.

Masagão não nos revela seu rosto, o rosto-convencional, com olhos, boca, nariz, bochechas. Mas nos revela seu rosto tátil, com palma, dedos, unhas, dobras. A genialidade de Masagão é dar rosto à anônima multidão oferecendo-nos suas mãos.

Sobrepondo imagens fotográficas que têm como elemento expressivo mãos em diversas posturas-estados, funções-estados, estados de vida, vidas estando; às imagens em movimento do corpo e do tecido urbano, seu entorno, sua pele, Masagão revela-nos suas entranhas: o homem. Nas extremidades de seu corpo – as mãos – a extremidade de suas vidas, a extremidade da vida na metrópole. 8.478.244 obsessivos = 16.956.488 mãos pertinazes. 8.704.211 histéricas = 17.408.422 mãos descontroladas. 9.598.912 dormiram mal ontem à noite = 19.197.824 mãos que acalmam mentes, que reclamam...

As mesmas mãos que construíram a cidade e tornam-se da evolução escravas, são por ela involuídas. Revelam-nos aqui o dentro, que nos escapa quando olhamos somente para o fora, para o rosto do concreto.

O jogo das estatísticas me assola. Trago as mãos sob o queixo, inclino a cabeça. Reconheço nessas mãos algo que também é meu, é nosso. Algo que é nós.

Sim, é possível compor um poema a essa altura da estupefação da humanidade. É possível tocar-nos.

Maio 21, 2008

Porque nem só de letras vive o homem: de imagens também!
Amigos, deixo aqui o convite para os interessados em participar de um projeto de extensão que será ministrado pelo Gilnei (professor do CEFET) e por mim, a partir do dia 28, próxima quarta.
Aqui vai um breve resumo do programa e outras informações:

Cidade e fotografia
Cidade e cinema
Cidade e arte-intervenção
Cidade e literatura
Cartografia e experiência

Incrições de 20 a 28 de Maio, na COLINC/CEFET. Certificado de 20 horas.
Encontros todas as quartas das 17:00 às 19:00 hs.

Então é isso, desejo tê-los por lá!

Maio 18, 2008

A poeira invade a existência

Pilhas de livros rabiscados, discos, jornais e pontas de cigarro. Cheiro de cigarro. Cheiro de existência. Um tapete roxo Uma vida roxa. Olheiras.
Dias e noites taciturnas, camomila e tédio. Frases permeadas de silêncio, sons da rua, transeuntes bêbados.
Da janela passos, ruídos que povoam o imaginário recortado em poesia e ócio. Apenas uma noite só, tentativas ébrias fatos e retratos fuga e chuva.
Vil releio a vida, taça poeira despedida, fragmentos do que outrora fora. Não pensar no tempo, eis o lúgubre conselho do perdido.
Todo dia tento. desatento


* a foto acima, que resume meu momento tccístico da vida, é do Renato de Cara, dum projeto bem bacana que se chama Arqueografia da Paisagem. Conheci numa ffw>>Mag!, mas taí o link do cara:

http://www.renatodecara.com.br/arqueografia.htm

Maio 07, 2008

Dicotomia – parte I

Ela esperava que o encontro fosse outro. Ao sair revistou a bolsa: cigarros, isqueiro, espelho, batom, lápis preto para os olhos, um pequeno livro de bolso com uns contos da Clarisse, papel, caneta e chicletes. As chaves. Onde estariam as chaves? Olhou ao redor em cima da mesa da cama da estante do sofá da pia da geladeira no chão embaixo das pilhas de livros de roupas de discos de sapatos. Nada. Onde estariam as malditas chaves? Aquele chaveiro estranho com um homenzinho verde pendurado, criatura de qualquer planeta, como ela. Onde estaria ele? Pensa procura pensa procura pára. No box, é claro, as chaves estão no box.

Quando chegara fora direto para o banho, ansiosa pelo encontro. Ali tirou os sapatos os brincos a blusa o jeans e a jungle – resquícios. Olhou-se no espelho e sorriu. Será que ele gostaria do que via? O vapor começa a tomar conta do banheiro, hora de escolher a roupa. Essa é definitivamente a melhor e a pior parte. Mas se ainda não sabe a roupa sabe pelo menos o que quer dela. Elas sempre sabem isso. Ou não? Olha no espelho, o corpo ainda molhado. Abre todas as portas de todos os armários e enquanto seca e olha no espelho vai pensando o que vestir. O que vestir o que vestir. Tanto tempo por esse encontro, nada poderia dar errado. Começa pelos sapatos, quer o vermelho. Óbvio, ela sempre, usa o vermelho. Mas eu sempre uso o vermelho, pensa. E eu tenho tantos. Mas o vermelho é tão versátil e confortável e bonito e indiscreto e. Vou com o vermelho.

Sapato calcinha e um band aid no joelho esquerdo. Calça. Tira a toalha do cabelo e liga o secador. O cabelo, limito-me a dizer que foi. um tempo, à parte. Um lápis no olho, nada demais. Ah, e as bochechas, levemente rosadas. Precisa parecer natural, não quer que ele pense que passou horas se arrumando pr’essa noite. Sem mais descrever a novela, vestiu uma levis velha (501 nunca fica velho, argumenta) e uma camisetinha, meio nova. Uma camisetinha normal, não fosse pela frase, sutilmente (estrategicamente?) estampada na parte de dentro da gola, nas costas: tu pisarás meus caminhos proibidos...

Algumas gotas do Z e uma pitada de canela na parte detrás dos joelhos. Afrodisíaco, dizia a avó. Pronto. Agora só faltam as chaves.


Maio 06, 2008

Visitar pessoas, ainda que virtualmente. Pensamentos coloridos.

Levanto às pressas, saio atrasada, chego atrasada. Fazer aquilo, isso, aquilo, aquele outro. Ser sempre outro e o mesmo, o mesmo e outro. Sem tempo para um café, sem dinheiro para o ônibus, com frio e com sono. Despenteada, desorientada, louca pra ficar deitada. E ver o dia nascer, no escuro. Pelo menos hoje, pelo menos um cigarro, então. Sem saída, hoje não dá. Ai, minha nossa senhora do eterno retorno, que dia é hoje mesmo? Anh, o dia depois de segunda, o segundo. As chaves, um bocejo, mais um bocejo e mais um: mas, o que eu ia fazer mesmo? (Um corpo que cansa)

Nietzsche dorme comigo, há várias noites, longas noites. Lambe minha orelha, coça, troça, inflama, reclama, e me cansa. Temos palavreado a noite, adiado os sonhos da noite. De manhã é isso, esperar a tarde pra despertar. E a tarde da noite pra dormir.

Parece sempre o mesmo, mas o mesmo é sempre outro. Por exemplo agora, deu vontade de ler Caio. Mas não o caio “caio” (de “eu caio”), mas o caio naja. Aquele que diz, como Hildinha (medo!), é crua e dura a vida, mas diz isso assim, ali, encostado na parede, com uma caneca de café na mão (podes escolher a cor!) fumando um cigarrinho, arqueando as sobrancelhas e fazendo beicinho.

Hoje o céu ta limpo, o sol ta quente – mas o ar tá frio, propício pra esse encontro. Dia de ausências outonais... uma visita à estante, e tudo certo! nada que não devolva um sopro a mais aos pulmões, ávidos de haveres.